4.2.09

A advogada do reitor


As plantas eram artificiais. O mínimo que se esperava de conforto, de natural, era de mentira. Quisera eu que fossem plantas, com clorofila, transformando CO2 em oxigênio para me descansar dos mais de quarenta minutos trancafiado na salinha 2x2 metros, quente, quase uma anti-sala do inferno nesta semana picante de Fevereiro. Escuta, Agostinho, sua pasta sumiu. Fiquei sem entender e continuei olhando pra plantinha de polímeros. Olhei até aparecer. Apareceu! O sistema acusa meu débito, setecentos e oitenta e quatro reais, sem atualizar. Naquele calor uma cifra daquelas é um susto. Alivio-me com a presença da advogada bela, Anita. Sou formada, não sou advogada... aquela loucura da Ordem! Ou o sistema ou a advogada, digo, a formada, é mesmo cruel: em vinte minutos de conversa aquela cifra atingiu a espantosa quantia de mil e quinze reais. Ai mamãe! Se ao menos tivesse um cafezinho pra facilitar a digestão. Engolir isso seco é estupro. Talvez água. Tem um copo d’água? Deixa pra lá, é melhor não pedir a água. Dever é sofrer. O saber custa caro. Conhecimento que transtorna. Anita, que doce, Anita, sou amigo do professor Renato, liga pra ele. Espero. Agostinho, não tem jeito não, é mil e quinze mesmo. Mas mil e quinze não dá! Sofro. É, não tem jeito mesmo. Minha vontade era fuder com tudo, de socar a porra do computador e arrebentar aquele emaranhado de fios e cabos e modens. Mas Anita era tão doce e tão bela que não tinha jeito. Um soldado na guerra com uma inimiga dessas trai a pátria mesmo. Então tá Anita, obrigado. Tchau. Ah... dá pra dividir de três vezes?

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