
Uma pequena estirpe comemora a prisão de
Lula. Essa estirpe é, em realidade, bem menor do que se imagina, ela é ínfima,
mas muito poderosa. O problema é que uma grande parte de pessoas, os chamados
coxinhas, manifestoches etc., mas que eu prefiro chama-los de “gente orgulhosa
e ignorante”, comemora como se ela ganhasse algo com essa prisão que afronta a
democracia. Será que essa “gente orgulhosa e ignorante” acredita que prender
Lula significa acabar com a corrupção? Não. Eles não são tão ignorantes assim,
apenas fingem ser. O que eles querem é prender Lula, o homem.
A corrupção não interessa, aliás, a
pequena estirpe vive da corrupção e os seguidores que se fantasiam e desejam
ser estirpe também, seguem no mesmo caminho. Ou você conhece alguma riqueza que
não tenha sido construída sobre os ossos de alguém pobre? Toda riqueza é, em
si, baixa, é pobreza. O desejo de riqueza chega a ser ainda mais vil. A
prosperidade econômica é uma droga que entorpece e mata. Mas a “gente ignorante”
não consegue ler a sociedade de modo integral. Ela não consegue perceber a
relação entre política, poder econômico, a estética novelesca e o futebol. Em
geral, esse ignorante tem orgulho de ser ignorante. E o problema reside aí: “a
gente ignorante” que pensa que é nobre, se esquece que é pobre e luta ao lado
dos fortes. É como bater voluntariamente com a cara no muro. Ver o trabalhador-pobre-preto-excluído
comemorando o impedimento da classe pobre poder governar e participar do
progresso do país é como ver o rato lambendo o bigode do gato.
Nós, que lutamos por igualdade e democracia, não fomos derrotados. A prisão de Lula não nos envergonha nem nos enfraquece. Nós estamos acostumados a apanhar, a ser torturados e achacados pela pequena elite. Nós apanhamos há milênios. A história ocidental mostra bem a nossa primeira surra quando defendemos a “puta” que era apedrejada e por isso, um dos nossos companheiros foi injustamente julgado e posto numa cruz para todo mundo ver e rir. O tempo passou e depois da cruz vieram as fogueiras. Hoje, é o fascismo travestido de ato de justiça.
Ninguém ganhou. Perdemos todos,
sociedade e instituições. A prisão de Lula não nos dói, afinal apanhar das
elites e dos opressores é uma constante na vida da gente que luta por direitos
e igualdade, e ainda há de ser assim por muito tempo. O que incomoda não é ver
nosso companheiro maior numa cela de prisão, aliás, isso até nos enche de
orgulho, pois confirma a tese de que as elites, para nos calarem, têm de nos
trancafiar em suas prisões. O que incomoda, porém, é ver que a “gente ignorante”
quer e escolhe morrer assim, na escuridão, sem lucidez, na pior das prisões que
é reino da inverdade e da aparência.
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