Antes, pensava que ele
era muito grande, infinito, belo,
sutil, capaz de fazer tudo que lhe
aparecia um despercebido pormenor.
Que relação conturbada; eu pequeno
e ele tão grande. Ele passou, eu cresci.
Ele ficou pequeno e eu não percebi.
Assim é o tempo para os adultos.
Assim é o tempo para mim.
O tempo decresce, diminui.
O ciclo do relógio é
quase instantâneo
e os tic–tacs parecem
um bang–bang, um duelo
com a existência. É como se
ele fosse nosso inimigo, inimigo da
física. O tempo é menor que eu. Eu
crescendo e ele se indo. Eu correndo
e ele me consumindo. O tempo é
antropofágico. Que horas são?
Agora, que horas são?
Que horas são?