14.1.07

Eu levo ou deixo?

Uma daquelas situações constrangedoras nas quais o maior culpado não é o sujeito, e sim a linguagem! Ora bolas, mesmo dialogando o mesmo idioma, podemos nos fazer incompreendidos! Vocabulário é tudo:


"Consta que Rui Barbosa,
ao chegar em casa,
ouviu um barulho estranho vindo de seu quintal.
Chegando lá, constatou haver um ladrão
tentando levar seus patos de criação.
Aproximou-se vagarosamente do indivíduo
surpreendendo-o ao tentar pular o muro
com seus amados patos.
Batendo nas costas do invasor, disse-lhe: Bicéfalo...
não é pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes
e sim pelo ato vil e sorrateiro
de galgares os profanos de minha residência.
Se fazes isto por necessidade, transijo!
Mas se é para zombares de minha
alta prosopopéia de cidadão digno e honrado,
dar-te-ei com minha bengala fosfórica
no alto de tua sinagoga que te reduzirá
à qüinquagésima potência que o vulgo denomina Nada!
E o ladrão confuso disse:
Moço, eu levo ou deixo os patos? "

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